Título - 'MEU ROTEIRO'


O que sinto? Posso acreditar que o que sinto é real? Não sei bem o que é sentir. Não sei explicar sentimentos. Eles são confusos e bagunçados, meio sem sentido nenhum para mim. Me pergunto se eu gosto, se me faz falta, se me faz bem, se faz o contrário. Me pergunto o que é esse vazio que aparece quando me fazem perguntas mais profundas sobre o assunto. Bastaria para mim ser feliz por ser aceita por alguém? Bastaria para uma mente e um coração cansado, algo que não é profundo e tão pouco parece real? É bonito, é bom, é tudo o que as pessoas dizem e mais um pouco? Ou eu estou me enganando apenas para manter um status que eu nunca tive? Estou mantendo uma aparência novamente, apenas para não magoar ou chatear alguém por quem me importo, mas nada além disso. A felicidade de quem eu devo considerar? A de todos ao meu redor, ou a minha? Seria eu realmente feliz se continuasse me tornando o que as pessoas querem apenas para agradá-las, e esquecendo o que eu realmente quero? Como lidar com alguém que parece não entender que sua cabeça e suas emoções são mais bagunçada e difíceis de entender do que um desenho de uma criança de 2 anos? Como eu mesma devo me entender, se nada do que sinto faz ou sequer fez alguma vez sentido para mim? Não sei mais o que pensar. Não sei o que fazer. Vivo para mim? Ou estou vivendo o que os outros querem? Como ser eu mesma? Assumir quem eu sou e não me sentir afetada pela opinião alheia? Nunca fui afetada pela opinião de outros... então porque eu busco constantemente a aprovação de todos? Porque mexe comigo a ideia de perder as pessoas se eu revelar meu verdadeiro eu? Me sinto seguindo um roteiro que não concordo. Me sinto sufocada por esse roteiro que é escrito por todos, menos por mim. Mas eu dependo de muito nesse roteiro para viver. Não posso simplesmente abandonar o roteiro e tentar o meu próprio logo de cara. Mas não posso mais ser um espetáculo de marionetes. Preciso quebrar essas linhas invisíveis que não parecem nada, mas ainda assim me mantém presa. Mas será que quando elas se romperem, eu terei estrutura para me manter de pé sem elas?
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Letícia França R. Rego

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