Título - 'ESTRANHA CARTA DE AMOR'


Eu não sei como você está, ou como foram os seus últimos anos. Não sei o que se passou nesses anos que quase não tivemos contato. Sei que muito aconteceu. Queria te chamar pra um café e escutar cada detalhe, bom ou ruim, e me perder escutando a sua história. Mas eu sou eu, e você, é inalcançável. Eu não sou a pessoa que faz parte do seu círculo diário de amigos. Às vezes acho que perdi, ou talvez nunca tenha tido um posto como sua amiga. Mas eu achava isso. Gostava de pensar que eu te considerava meu amigo. Eu ainda me lembro como ontem daquela vez que você me deu um Ferrero Rocher e eu nuca tinha comido um. Coloquei na boca e de repente percebi que o gosto me decepcionava bastante, mas eu não reclamei, nem fiz cara feia. Porque foi depois de muitos dias juntos, indo aos ensaio daquele drama, que eu percebi a pessoa incrível que você era. Foi naquele momento, comendo aquele bombom (que eu detestei rs) que eu senti algo mais por você. Que eu queria que você fosse mais do que meu amigo. Mas também, naquele mesmo dia, foi o dia que eu percebi o quão longe de se tornar realidade aquilo estava. Porque nós éramos ironicamente como o Sr. Darcy e Elizabeth do filme Orgulho e Preconceito, mas sem o final melancólico do livro. Você era de um status totalmente diferente do meu, e nunca iria querer uma plebéia como eu. Fiz mais esforço do que pensa para esquecer aquela ideia maluca, mesmo tendo fortes sentimentos por você. Em partes, ela ficou bem guardada por todo esse tempo. Você escolheu alguém, que quando vi percebi que era tudo o que eu nunca seria. Me senti muito mal por me comparar à ela, já que eu nunca estaria naquele padrão. Achei que havia acabado minhas chances e o que eu sentia esfriou, porque para mim você tinha achado quem seria sua companheira para toda vida e seria errado ainda ter esperanças. Mas acho que o que estava quieto voltou à tona com a mais recente notícia. Eu quase enlouqueci com o turbilhão de pensamentos e sentimentos que apareceram novamente. Passei uma noite quase inteira chorando e orando a Deus para que eu não sentisse tudo aquilo novamente. Mas eu não tinha como negar que ainda sentia algo por você. Ao mesmo tempo, saber que eu ainda sentia algo, era uma tortura para mim. Porque você com certeza precisava de tempo, e não iria querer mais alguém na sua vida tão já. Era uma tortura, porque eu me olhei no espelho algumas horas depois de saber o que havia acontecido, e novamente vi que eu nunca seria ideal para você. Nunca caberia no padrão que você parecia ter. Acabei ficando pensativa demais sobre isso, por isso escrevi. Escrever tudo isso talvez te faça achar que além de tudo, eu sou uma louca fanática. Mas eu não sei se um dia vou ter essa coragem novamente, ou se vou ser doida o suficiente novamente para escrever para alguém. Mas eu precisava que soubesse. Se nunca houver uma possibilidade de tudo isso ser recíproco, espero que possa com sinceridade, me ajudar a nunca mais ter esperanças sobre isso. E que mesmo que nada disso faça diferença para você, e você tenha que ser sincero, eu espero que nunca deixe de existir nossa amizade. Porque acredito que eu nunca transpareci nada do que eu sentia, e sou capaz de continuar assim e continuar sendo apenas uma amiga. Acredite, se para você, essa possibilidade não existir, você nunca precisará se preocupar comigo ou minha presença perto de você. Serei apenas alguém que você conhece e que continuará sendo educada e amigável como sempre fui.
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Letícia França R. Rego

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