FLIP 2016 - Paraty - Svetlana Aleksiévitch

Olá meus queridos!
Nessa semana que passou estive na FLIP em Paraty (RJ) para conhecer essa festa literária tão conhecida.
A feira aconteceu de 29 de Junho à 3 de Julho.
A FLIP deste ano estava homenageando a escritora Ana Cristina César, mais conhecida como Ana C.
Na programação deste ano, a FLIP contou com a presença de escritores e jornalistas conhecidos como: Caco Barcellos, Svetlana Aleksiévitch, Tati Bernardi, Karl Ove Knausgård, Leonardo Fróes, Misha Glenny, Armando Freitas Filho, Walter Carvalho, Roberta Estrela D'Alva, Annita Costa Malufe, Laura Liuzzi, Francesco Careri, Lúcia Leitão, Álvaro Enrigue, Marcílio França Castro, Henry Marsh, Suzana Herculano-Houzel, Bill Clegg, Irvine Welsh, Benjamin Moser, Kenneth Maxwell, J. P. Cuenca, Valéria Luiselli,
Christian Dunker, Paula Sibilia, Ricardo Araújo Pereira, Gabriela Wiener, Juliana Frank, Heloísa Buarque de Hollanda, Arthur Japin, Guto Lacaz, Helen Mcdonald, Maria Esther Maciel, Kate Tempest, Ramon Nunes Mello, Abud Said, Patrícia Campos Mello, Sergio Alcides e Vilma Arêas.
Mas, em meio a tantos escritores e tantas palestras, resolvi falar apenas de uma pessoa, a escritora Svetlana Aleksiévitch. No entanto, tive a oportunidade de conhecer o repórter Caco Barcellos, que me pareceu uma pessoa simples e simpática.

Então, falemos sobre a escritora e jornalista Svetlana Aleksiévitch, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015 pela obra O Fim do Homem Soviético.

Em entrevista coletiva, Svetlana Aleksiévitch respondeu perguntas sobre sua carreira e sua experiência de vida como escritora e jornalista.

  “Como foi ser taxada de anti-comunista e anti-soviética, quando na realidade você estava apenas tentando mostrar no seu livro qual era a realidade pela qual você havia passado na guerra?”
  S. Aleksiévitch - “Faço parte de uma cultura em que, se você é um pintor honesto, vai pintar sempre contra o governo. Não me arrependo de ter escolhido ficar do lado que eu achava estar certo. Mas por causa disso tive de fugir do meu país e me refugiar em outro. Além disso, meus livros foram parar na justiça, perdi meu emprego como jornalista e fiquei longe de pessoas que conhecia. Porém para se atingir metas na vida é necessário caráter e perseverança. Por mais que pareça banal, é preciso amar a vida e a humanidade. Sempre há momentos de desespero, como agora, que vivo na minha terra com a sensação de desilusão. Toda aquela simbologia da grande Rússia voltou com a perda dos democratas. Então a Rússia mudou novamente. Apenas dou a minha pequena contribuição para ela.”

  ”Qual a sua opinião sobre o futuro? Você acredita que há um futuro melhor?”
  S. Aleksiévitch – “Não sei responder a essa pergunta. Acho que não é possível saber o que vai acontecer no futuro. Apesar do nosso mundo estar cheio de tecnologia e dizerem que essa tecnologia pode simplificar a vida do homem, cada vez mais a vida fica difícil. A cada geração as questões ficam mais complicadas, e as respostas mais escassas e diferentes. A vida se tornou mais complexa, pois está cada vez mais difícil nos mantermos humanos, não apenas em guerras, mas também em situações cotidianas.”

  “Qual sua opinião sobre a violência contra a mulher? Por exemplo, violência contra mulheres que são jornalistas e vão para guerras e conflitos a fim de escreverem sobre isso?”
  S. Aleksiévitch – “Acabar com a violência não é uma tarefa para as mulheres. Ao contrário, a sociedade e o governo deveriam se unir para isso. Quando eu era nova, era inadmissível uma mulher morar sozinha, mas hoje a sociedade não condena ninguém por essa opção, ela até é comum. A única coisa que pode defender uma mulher é seu talento. Houve uma ocasião em que fui trabalhar como jornalista num grande jornal e um dos repórteres perguntou ao editor chefe por que havia contratado uma mulher para o jornal; e ele respondeu que preferia um homem para isso, mas que eu tinha muito talento (risadas). Não sei se o Brasil ainda tem uma presidenta mulher, mas isso foi um grande passo.”

Essas foram algumas das perguntas feitas durante a coletiva que aconteceu no sábado, 2 de Julho 2016, às 15h na Pousada do Ouro, pousada oficial da FLIP. Depois da coletiva, Svetlana autografou alguns livros antes de sair para a mesa de entrevistas (que estava esgotada antes mesmo do primeiro dia da FLIP).

A fila para autógrafos na Livraria Travessa (oficial da FLIP) estava tão comprida que chegou até perto do telão da Tenda dos Autores. Poderá acessar a entrevista dela pela página oficial da FLIP no Facebook.

Curiosidades sobre Svetlana Aleksiévitch:
- Nascida em 31 de Maio de 1948, Stanislav, RSS Ucrânia.
- Filha de pai bielorusso e mãe ucraniana.
- Escritora e Jornalista.
- Ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015 pela obra O Fim do Homem Soviético.
- Autora de diversas obras, disse estar escrevendo outro livro. Agora sobre amor.

                              -x-

Aqui fico por enquanto!
Letícia F. R. Rego.

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