Título - 'VENCIDO'
Não sei no que pensar, mas penso em tudo ao mesmo tempo.
Sou um temporizador programado para parar à qualquer momento. Num momento que não sei quando será.
Tenho sonhos, desejos, vontades. Mas mal consigo me vestir sozinha, quem dirá realizar tudo o que gostaria!
Eu quero viver. Quero poder fazer coisas que pessoas normais fazem.
Trabalhar. Cozinhar. Andar. Nadar. Correr. Amar.
Quero não ter que depender de ninguém para as coisas mais simples do meu dia a dia. Quero minha independência de volta. Quero apenas minha vida de volta.
Quero poder me apaixonar por alguém sem ter que dizer para mim mesma: 'esqueça! Porque você não tem director de querer que alguém te ame assim. Você é uma bomba relógio! Você não quer ninguém sofrendo por você.'
Quero amar, mas amar sabendo que não vou ser apenas passageira na vida de quem me amar em troca.
Quero poder acordar sem dor pelo menos 1 vez na semana. Seria o suficiente.
Ter disposição para sair da cama e fazer o café sem precisar da ajuda de ninguém.
Ir para a academia sozinha sem ficar pensando que vou cair no meio da rua, ou que talvez eu não consiga me vestir por completo para sair de lá.
Tirar a carta de motorista sem ser reprovada na prova porque sinto dores só para pisar no acelerador.
Quero sentir que essa pedra no meu peito não existe mais, porque eu me lembro de quando ela não estava aqui.
Quero poder ser mais útil a cada dia, e não mais dependente, mas as coisas só pioram.
Quero lembrar daquela trilha que fiz à 3 anos atrás, e pensar em fazê-la de novo. Mas penso nela e quero chorar, porque não seria capaz de fazê-la de novo.
Quero pensar naquele dia que comi um trilhão de coisas diferentes, com as misturas mais estranhas, e saber que um dia posso fazer essa loucura de novo. Mas também não posso.
Quero pensar naquelas viagens sozinhas que fiz, de avião, e planejar as próximas. Mas cadê? Sem saúde como fazer?
Quero marcar aquela saída com amigos que eu não vejo faz tempo, mas sempre fico doente um ou dois dias antes e tudo vai pelo ralo.
Quero trabalhar mais no que me dá muita alegria... Mas sabe o sol? Eu nem posso ficar sob ele.
Apenas quero viver. Simples assim.
Mas estou presa à um corpo fraco, doente, inútil. Um corpo que não escolhi.
Um corpo com a validade expirada. Que começou a se decompor tem 2 anos e só me avisou quando venceu.
Um corpo que não me deu a chance de tentar outras coisas antes de me deixar tão dependente, tão inútil, tão debilitada.
Não consigo pensar mais numa razão ou num propósito real para mim.
Me tornei o que eu mais temia, um peso para as pessoas que estão ao meu redor. Me tornei uma obrigação para elas.
Eu envelheci toda uma vida em apenas alguns anos. Pulei a parte da vida onde se vive, se aproveita as coisas que se tem para aproveitar e passei de criança à idosa em um piscar de olhos, mesmo ainda sendo jovem.
Minha data de validade expirou.
Eu não estou viva de verdade. Qualquer coisa agora é demais para mim.
Qualquer coisa.
Não há mais como dizer eu consigo. Minha mente consegue, mas meu corpo não. Então porque ainda chamam isso de vida?
Não há mais vida.
Letícia França R. Rego.
Sou um temporizador programado para parar à qualquer momento. Num momento que não sei quando será.
Tenho sonhos, desejos, vontades. Mas mal consigo me vestir sozinha, quem dirá realizar tudo o que gostaria!
Eu quero viver. Quero poder fazer coisas que pessoas normais fazem.
Trabalhar. Cozinhar. Andar. Nadar. Correr. Amar.
Quero não ter que depender de ninguém para as coisas mais simples do meu dia a dia. Quero minha independência de volta. Quero apenas minha vida de volta.
Quero poder me apaixonar por alguém sem ter que dizer para mim mesma: 'esqueça! Porque você não tem director de querer que alguém te ame assim. Você é uma bomba relógio! Você não quer ninguém sofrendo por você.'
Quero amar, mas amar sabendo que não vou ser apenas passageira na vida de quem me amar em troca.
Quero poder acordar sem dor pelo menos 1 vez na semana. Seria o suficiente.
Ter disposição para sair da cama e fazer o café sem precisar da ajuda de ninguém.
Ir para a academia sozinha sem ficar pensando que vou cair no meio da rua, ou que talvez eu não consiga me vestir por completo para sair de lá.
Tirar a carta de motorista sem ser reprovada na prova porque sinto dores só para pisar no acelerador.
Quero sentir que essa pedra no meu peito não existe mais, porque eu me lembro de quando ela não estava aqui.
Quero poder ser mais útil a cada dia, e não mais dependente, mas as coisas só pioram.
Quero lembrar daquela trilha que fiz à 3 anos atrás, e pensar em fazê-la de novo. Mas penso nela e quero chorar, porque não seria capaz de fazê-la de novo.
Quero pensar naquele dia que comi um trilhão de coisas diferentes, com as misturas mais estranhas, e saber que um dia posso fazer essa loucura de novo. Mas também não posso.
Quero pensar naquelas viagens sozinhas que fiz, de avião, e planejar as próximas. Mas cadê? Sem saúde como fazer?
Quero marcar aquela saída com amigos que eu não vejo faz tempo, mas sempre fico doente um ou dois dias antes e tudo vai pelo ralo.
Quero trabalhar mais no que me dá muita alegria... Mas sabe o sol? Eu nem posso ficar sob ele.
Apenas quero viver. Simples assim.
Mas estou presa à um corpo fraco, doente, inútil. Um corpo que não escolhi.
Um corpo com a validade expirada. Que começou a se decompor tem 2 anos e só me avisou quando venceu.
Um corpo que não me deu a chance de tentar outras coisas antes de me deixar tão dependente, tão inútil, tão debilitada.
Não consigo pensar mais numa razão ou num propósito real para mim.
Me tornei o que eu mais temia, um peso para as pessoas que estão ao meu redor. Me tornei uma obrigação para elas.
Eu envelheci toda uma vida em apenas alguns anos. Pulei a parte da vida onde se vive, se aproveita as coisas que se tem para aproveitar e passei de criança à idosa em um piscar de olhos, mesmo ainda sendo jovem.
Minha data de validade expirou.
Eu não estou viva de verdade. Qualquer coisa agora é demais para mim.
Qualquer coisa.
Não há mais como dizer eu consigo. Minha mente consegue, mas meu corpo não. Então porque ainda chamam isso de vida?
Não há mais vida.
Letícia França R. Rego.
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